terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Portugal City Brand Ranking

Nem com Ctrl + F encontrei a Cidade Região.


From Jornal de Negócios

Ranking elaborado por consultora elege Lisboa como a cidade com a marca mais valiosa, líder das três categorias em análise: Investimento, Turismo e Talento. Nos 10 primeiros lugares só entram capitais de distrito e cidades das áreas metropolitanas.
A cidade de Lisboa lidera o ranking “City Brand”, que mede o valor das marcas dos 308 municípios portugueses. A capital lidera as três principais categorias analisadas pelo estudo, elaborado pela consultora “Bloom”. “Lisboa é a cidade que tem uma melhor marca, e uma melhor performance em três vertentes diferentes”, explicou ao Negócios o director-geral da consultora, Filipe Roquette. As grandes cidades estão nos lugares cimeiros e Porto e Braga fecham o pódio.

Os 10 primeiros lugares são ocupados por cidades das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e por capitais de distrito. De acordo com o ranking da “Bloom Consulting”, Lisboa, Porto e Braga ocupam as três primeiras posições. Oeiras segue na quarta posição, muito perto da cidade dos arcebispos, enquanto Coimbra fecha o “top5 “. Nos lugares seguintes estão Aveiro, Leiria, Faro, Guimarães (não é capital de distrito mas está muito próxima do Porto) e Cascais.

O ranking foi elaborado através do cruzamento de diversos dados estatísticos, como desemprego, número de hospitais, salário médio, taxa de criminalidade ou dormidas turísticas por município, com 15 grupos de perguntas-chave, que agrupam “o que as pessoas procuram no mundo inteiro num município”. Posteriormente, esses dados são comparados com a “comunicação online de cada município: o que comunica e o número de pessoas a quem chega essa informação”, tendo por base o site da autarquia e a sua presença nas redes sociais.

Os resultados permitem perceber “se a marca é assertiva, se está bem posicionada, se consegue estimular as pessoas”. As três categorias em análise são Negócios (Investimento), Visitar (Turismo) e Viver (Talento). Lisboa está em primeiro lugar em todas elas.

“Lisboa é quem melhor responde às necessidades das pessoas, tem a melhor percepção de marca, quer em termos de marca turística como em termos de marca de investimento, e isso reflecte-se na própria economia: quanto melhor a marca mais vai captar para a cidade”, explicou Filipe Roquette.

Marcas do interior interessam menos às pessoas

Negócios procurou saber se, tendo em conta os critérios seleccionados, os municípios mais pequenos, e do interior, não são prejudicados face aos do litoral, em especial das áreas metropolitanas, que têm maior atractividade em termos de investimento e em termos turísticos. Roquette diz que não. “Temos o cuidado de pegar na informação obtida e dilui-la para evitar que isso aconteça”, garante. No número de empresas, “temos o número de empresas criadas por habitante”, prossegue.

“O que acontece sempre, e é normal, quando medimos marcas e não empresas, é que, obviamente, se pegarmos, a título de exemplo, em Freixo de Espada à Cinta, é um município que ninguém conhece, e que não tem percepções. Como não tem, as pessoas não o procuram”, argumenta. “Não quer dizer que as pessoas tenham percepções negativas; são inexistentes. O município terá de trabalhar a sua marca para criar notoriedade”, observa o director-geral da “Bloom”.

O município transmontano de Freixo de Espada à Cinta está no 307º e penúltimo lugar, apenas à frente de Monforte.

O objectivo do ranking é “despertar de atenção quanto à marca do município. A marca nem sempre é valorizada e é um enorme activo”, sublinha. A “Bloom Consulting” está a promover reuniões com os municípios para lhes apresentar os relatórios que explicam a sua posição no ranking. “O relatório vai permitir analisar o que as pessoas procuram, de onde procuram, quando procuram, e comparar com outras cidades”. “Isso permitirá decidir o que se tem para gastar de forma mais eficiente”, projecta.

E o que é que as câmaras devem fazer para aumentar o valor das suas marcas? Investir na vertente turística? “Aconselhamos que as câmaras tomem consciência do seu posicionamento exacto, quem os procura e em quê, e qual é o seu activo. Com base nessa informação real, devem fazer um melhor investimento” dos recursos para a sua promoção, defende Filipe Roquette.

 
Ranking
10 melhores:

1
Lisboa
2
Porto
3
Braga
4
Oeiras
5
Coimbra
6
Aveiro
7
Leiria
8
Faro
9
Guimarães
10
Cascais


10 piores:

299
Ribeira de Pena
300
Lajes das Flores
301
Cuba
302
Calheta (Açores)
303
Murça
304
Penalva do Castelo
305
Gavião
306
Ourique
307
Freixo de Espada à Cinta
308
Monforte

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Contramão


Já se passou mais um ano,
E nós ainda sem falar.
Estamos nisto há meia vida
E continuamos a tentar.

Meu amor, nós já não vamos lá chegar,
O melhor é nem se quer querer entender,
Também vês que só nos estamos a afundar,
A esperar o que não está para acontecer...

Todos os dias olhamos um para o outro enamorados,
E dizemos, porque queremos, que um dia vamos ser casados,
Mas meu amor, tu sabes depois quando vem a maldição,
Eu sei de cor, o que digo e o que tu vais dizer,
Nós andámos um para o outro com tal dedicação,
Que tu passaste e eu não te vi nem tu a mim quiseste ver.

Ahhh, Diana... Se o tempo chove em toda a gente e até quem ama
Se vê metido nesta puta maldição;
É que gostarmos um do outro só não chega,
Que temos ambos mau feitio ninguém nega,
Mas já se passou mais um ano e nós ainda em contramão.

Diana... Se o tempo chove em toda a gente e até quem ama
Se vê metido nesta puta maldição;
É que gostarmos um do outro só não chega,
Que temos ambos mau feitio ninguém o nega,
Mas já se passou mais um ano e nós ainda em contramão...
Bernardo Fachada

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Pós-autárquicas e imprensa Viseenses

Como não gosto de me levar nas correntes mainstream e faço um sério esforço de evitar ser considerado cool decido comentar o pós-autárquicas apenas em Dezembro. Porquê? É rejubilante assistir ao início de um mandato, conjutamente com os ataques ferozes dos derrotados.

Almeida Henriques ganhou. Sem surpresas até aqui, não se esperava outro desfecho, até porque provavelmente 60% dos votos foram ao Dr. Ruas (diria mesmo que as pessoas procuravam a setinha alada ao invés do nome), e assim Henriques continua nos caminhos laranjas do Cavaquistão. Não tem de ser necessariamente mau, e até agora tem sido agradável acompanhar o início de mandato.

No início de mandato é quando as promessas estão mais frescas, logo é preciso dar-lhes uma visibilidade maior. Henriques tem sido inteligente em aproximar a população à CMV, muito devido ao uso do facebook (e atenção, acho mesmo uma boa iniciativa). Mas espero que as pessoas não esqueçam que no facebook escreve-se o que se quer mostrar, e desejo muito que não esqueçam também de tentar compreender aquilo que não é mostrado... no fundo o facebook tanto pode manter as pessoas mais informadas, como mais desinformadas.

O Site da CMV também mudou. Para melhor confesso, mas ainda assim um pouco confuso. Nele pode ser consultado o Estratégia Viseu Primeiro 2013/2017. Não deixa de ser curiosa a similaridade com o guião da reforma do Estado Português, mas isso são outras contas. Li o plano de estratégia, muito na diagonal admito, porque como um tipo das ciências gosto de ler assuntos concretos e concisos, e não lagos de palavras, totalmente enraizadas em valores que são adquiridos por base do senso comum em sociedade. No fundo realça a necessidade de atrair investimento e de desenvolver a economia local (clap clap, finalmente alguém percebeu que é preciso indústria e tecido empresarial), uma CMV mais próxima da população (vamos ver se não sob guidelines estreitas), a necessidade de maior contacto nacional e internacional, entre outros. Curioso é também a criação de uns quantos Concelhos, Gabinetes e estaminés: muito bem, organizações em que as pessoas podem dar o seu contributo activo. Espero as guidelines.

Dr. Henriques: Não me posso queixar até agora (talvez os vereadores da oposição com presença no governo possam, mas acredito que o calendário municipal seja bem mais atarefado que o do governo) mas a festa está mesmo no início, pelo que estaremos atentos.
O momento de publicidade vai para a Rua Direita. Não caro leitor, não é o pedaço de Saara Viseense, mas sim o novo portal de informação da cidade. Cabe o editorial a Paulo Neto, e prima pela independência e pertinência de conteúdos. O Jornal do Centro poderá deixar saudades, mas o design atractivo e moderno da Rua Direita certamente colmatará essa falha, bem como os nomes dos colaboradores intervenientes.
Recomenda-se a adição aos Favoritos.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O novo Paulo Ribeiro, homem que dança para os outros

Copiado integralmente de Publico.pt, por Tiago Bartolomeu Costa

É o regresso aos solos de um coreógrafo que nunca pensou no colectivo senão como um encontro de indivíduos. Sem um tu não pode haver um eu estreia-se hoje, em Viseu.
Enquanto se observa no vídeo que passa na parede em frente, os ombros do coreógrafo e bailarino Paulo Ribeiro avançam sobre o linóleo do estúdio no último andar do Teatro Viriato, em Viseu. Depois a cabeça reage, a seguir as pernas rompem o imobilismo e, por fim, é a sua voz, grave, que quer participar num movimento que ainda só se anuncia.

Sem um tu não pode haver um eu é um regresso aos solos de um homem que procurou sempre, no interior das suas coreografias, perceber como podiam os indivíduos construir uma relação de intensa proximidade com o outro. O outro aqui era, pela lógica, o bailarino ao seu lado.

Mas, ao olharmos para os seus trabalhos, percebemos que os corpos que Paulo Ribeiro convocou sempre para palco eram corpos desejantes. Como acontece, por exemplo, praticamente nos extremos da sua criação: Jim (2012), a obra mais recente, abria com um solo do próprio coreógrafo, propondo uma revolução dançada ao jeito de cada um que, ao ser interpretada por vários bailarinos ao mesmo tempo, dava a sensação de ser a mesma a revolução que todos partilhavam; Sábado 2 (1995) propunha uma fusão dos corpos que parecia acreditar na possibilidade utópica da comunhão.

Corpos que viviam e admitiam morrer (assim era, por exemplo, em Tristes Europeus – Jouissez sans Entraves, 2001, momento elegíaco de um colectivo social por vir) porque, tal como reafirma o título desta nova peça, roubando uma frase ao realizador e encenador sueco Ingmar Bergman sobre a relação entre o artista e o público, "sem um tu não pode haver um eu".

É preciso recuar até 1991, ano de todos os começos, para encontrar o que ficou do outro lado espelho. Modo de Utilização, primeiro solo de Paulo Ribeiro, experimentava já a evocação de uma presença que queria sair do palco, que queria estender esse palco até à expectativa criada por quem o via. Um solo era, afinal, uma dança a dois – tal como uma dança a dois pode ser a mais solitária das danças (Malgré Nous, Nous Étions Là, com Leonor Keil, 2007).

Mas esse Modo de Utilização, uma espécie de ars poetica dançada, era peça de juventude, iniciática e, por isso mesmo, como escrevia André Lepecki na altura, no jornal Blitz, “às vezes tudo faz sentido, outras vezes há uma indefinição na personagem que nos é apresentada”. Passados 22 anos a indefinição é de outra ordem. Da ordem do sensível, do poético, já não tão especulativa, mas, ainda assim, livre, muito livre. Tão livre que podemos encontrar a mesma frase coreográfica interpretada, ao mesmo tempo, de modos diferentes, por um gesto nascido no pé e terminado na mão. É desta amplitude, desta espécie de tudo querer abraçar, que parte um solo que nos devolve um Paulo Ribeiro em forma, capaz de ocupar um espaço sem pedir meças a elementos acessórios.

E, por isso mesmo, o ponto de partida que foi a biografia de Bergman, Lanterna Mágica, é aqui mitigado, transformando-se numa sombra difusa, na memória auxilar de um movimento que se reinventa a cada suspensão e que insiste numa composição resiliente, crente na superação do gesto através do desejo pelo outro. “Ou morro, ou ela vai ser um estímulo dos diabos”, disse Bergman a uma das suas mulheres, no início de mais um casamento.

“Um estímulo dos diabos” também esta coreografia, “criação em tempos difíceis”, para recuperar o título original, que hoje se estreia em Viseu e em 2014 será apresentada nos teatros co-produtores: Centro Cultural de Belém (Lisboa), Teatro Nacional S. João (Porto) e Centro Cultural Vila Flor (Guimarães). Tempos difíceis porque colocam a pergunta: "Como se pode regressar ao solo quando se construiu, em colectivo, um discurso sobre a relação de dependência que sustenta a vida em comum?".

Para o coreógrafo trata-se não exactamente de um regresso às origens, mas de um recomeço, apenas possível porque se imagina como derradeiro. “É com estas palavras e as suas músicas que eu gostaria de voltar a dançar e talvez, desta vez sim, dançar pela última vez”, diz. Não se acredita que assim seja. Não é possível admitir que reclame para si esta presença e não deseje depois prolongá-la.

A chave está nas passagens da biografia de Bergman que Paulo Ribeiro sublinhou, pequenas marcas, pistas para uma coreografia em que, ao contrário do que acontecia nos solos das peças de grupo Masculine (2007) e Feminine (2008), que existiam na ambição de desaparecerem no interior de um gesto colectivo, o coreógrafo olha para si mesmo, para o que ainda é capaz de fazer e o surpreende, respondendo ao desafio do realizador sueco sem demoras: “Toma cuidado grandessíssimo malandro! Na minha próxima peça vou ajustar contas contigo."

O ajuste de contas é agora. E, assim, enquanto vai tirando o tapete a si mesmo, enquanto nos vai envolvendo com e num movimento que, mais do que se metamorfosear se alarga, conspira contra si mesmo e abandona todo o formalismo e toda a consciência da dor, é mais do outro que de si que fala. É mais o outro que dança.

“Dispus-me, portanto, a atacar os demónios que me torturavam”, diz Bergman. E então, percebemos: dança do exorcismo, coreografia da expiação, movimentos de abandono sim, mas não de retirada. Construção poética para um homem que nunca quis estar sozinho. Eis Paulo Ribeiro, com o mesmo movimento pequeno, nervoso, feito de choques e de confrontos, agora exposto em toda a sua vontade de deixar de olhar para os outros e começar a falar de si.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Seus olhos

Seus olhos - que eu sei pintar
O que os meus olhos cegou -
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino

Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi,
Queimar toda a alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.
Almeida Garret