segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O novo Paulo Ribeiro, homem que dança para os outros

Copiado integralmente de Publico.pt, por Tiago Bartolomeu Costa

É o regresso aos solos de um coreógrafo que nunca pensou no colectivo senão como um encontro de indivíduos. Sem um tu não pode haver um eu estreia-se hoje, em Viseu.
Enquanto se observa no vídeo que passa na parede em frente, os ombros do coreógrafo e bailarino Paulo Ribeiro avançam sobre o linóleo do estúdio no último andar do Teatro Viriato, em Viseu. Depois a cabeça reage, a seguir as pernas rompem o imobilismo e, por fim, é a sua voz, grave, que quer participar num movimento que ainda só se anuncia.

Sem um tu não pode haver um eu é um regresso aos solos de um homem que procurou sempre, no interior das suas coreografias, perceber como podiam os indivíduos construir uma relação de intensa proximidade com o outro. O outro aqui era, pela lógica, o bailarino ao seu lado.

Mas, ao olharmos para os seus trabalhos, percebemos que os corpos que Paulo Ribeiro convocou sempre para palco eram corpos desejantes. Como acontece, por exemplo, praticamente nos extremos da sua criação: Jim (2012), a obra mais recente, abria com um solo do próprio coreógrafo, propondo uma revolução dançada ao jeito de cada um que, ao ser interpretada por vários bailarinos ao mesmo tempo, dava a sensação de ser a mesma a revolução que todos partilhavam; Sábado 2 (1995) propunha uma fusão dos corpos que parecia acreditar na possibilidade utópica da comunhão.

Corpos que viviam e admitiam morrer (assim era, por exemplo, em Tristes Europeus – Jouissez sans Entraves, 2001, momento elegíaco de um colectivo social por vir) porque, tal como reafirma o título desta nova peça, roubando uma frase ao realizador e encenador sueco Ingmar Bergman sobre a relação entre o artista e o público, "sem um tu não pode haver um eu".

É preciso recuar até 1991, ano de todos os começos, para encontrar o que ficou do outro lado espelho. Modo de Utilização, primeiro solo de Paulo Ribeiro, experimentava já a evocação de uma presença que queria sair do palco, que queria estender esse palco até à expectativa criada por quem o via. Um solo era, afinal, uma dança a dois – tal como uma dança a dois pode ser a mais solitária das danças (Malgré Nous, Nous Étions Là, com Leonor Keil, 2007).

Mas esse Modo de Utilização, uma espécie de ars poetica dançada, era peça de juventude, iniciática e, por isso mesmo, como escrevia André Lepecki na altura, no jornal Blitz, “às vezes tudo faz sentido, outras vezes há uma indefinição na personagem que nos é apresentada”. Passados 22 anos a indefinição é de outra ordem. Da ordem do sensível, do poético, já não tão especulativa, mas, ainda assim, livre, muito livre. Tão livre que podemos encontrar a mesma frase coreográfica interpretada, ao mesmo tempo, de modos diferentes, por um gesto nascido no pé e terminado na mão. É desta amplitude, desta espécie de tudo querer abraçar, que parte um solo que nos devolve um Paulo Ribeiro em forma, capaz de ocupar um espaço sem pedir meças a elementos acessórios.

E, por isso mesmo, o ponto de partida que foi a biografia de Bergman, Lanterna Mágica, é aqui mitigado, transformando-se numa sombra difusa, na memória auxilar de um movimento que se reinventa a cada suspensão e que insiste numa composição resiliente, crente na superação do gesto através do desejo pelo outro. “Ou morro, ou ela vai ser um estímulo dos diabos”, disse Bergman a uma das suas mulheres, no início de mais um casamento.

“Um estímulo dos diabos” também esta coreografia, “criação em tempos difíceis”, para recuperar o título original, que hoje se estreia em Viseu e em 2014 será apresentada nos teatros co-produtores: Centro Cultural de Belém (Lisboa), Teatro Nacional S. João (Porto) e Centro Cultural Vila Flor (Guimarães). Tempos difíceis porque colocam a pergunta: "Como se pode regressar ao solo quando se construiu, em colectivo, um discurso sobre a relação de dependência que sustenta a vida em comum?".

Para o coreógrafo trata-se não exactamente de um regresso às origens, mas de um recomeço, apenas possível porque se imagina como derradeiro. “É com estas palavras e as suas músicas que eu gostaria de voltar a dançar e talvez, desta vez sim, dançar pela última vez”, diz. Não se acredita que assim seja. Não é possível admitir que reclame para si esta presença e não deseje depois prolongá-la.

A chave está nas passagens da biografia de Bergman que Paulo Ribeiro sublinhou, pequenas marcas, pistas para uma coreografia em que, ao contrário do que acontecia nos solos das peças de grupo Masculine (2007) e Feminine (2008), que existiam na ambição de desaparecerem no interior de um gesto colectivo, o coreógrafo olha para si mesmo, para o que ainda é capaz de fazer e o surpreende, respondendo ao desafio do realizador sueco sem demoras: “Toma cuidado grandessíssimo malandro! Na minha próxima peça vou ajustar contas contigo."

O ajuste de contas é agora. E, assim, enquanto vai tirando o tapete a si mesmo, enquanto nos vai envolvendo com e num movimento que, mais do que se metamorfosear se alarga, conspira contra si mesmo e abandona todo o formalismo e toda a consciência da dor, é mais do outro que de si que fala. É mais o outro que dança.

“Dispus-me, portanto, a atacar os demónios que me torturavam”, diz Bergman. E então, percebemos: dança do exorcismo, coreografia da expiação, movimentos de abandono sim, mas não de retirada. Construção poética para um homem que nunca quis estar sozinho. Eis Paulo Ribeiro, com o mesmo movimento pequeno, nervoso, feito de choques e de confrontos, agora exposto em toda a sua vontade de deixar de olhar para os outros e começar a falar de si.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Seus olhos

Seus olhos - que eu sei pintar
O que os meus olhos cegou -
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino

Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi,
Queimar toda a alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.
Almeida Garret


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Segundo AR

J: Também disse numa outra ocasião que lhe custava ver a «corajosa juventude portuguesa» com «medo de viver».
AR: A juventude portuguesa é como todas as demais europeias: generosa, cheia de seiva, inteligente, votada aos grandes destinos. Tenho porém muito medo dos mestres e dos mentores. A cada passo surge o diabo ao caminho. Um diabo de rabo pelado para que os jovens lhes hipotequem a alma. Quem os adverte do perigo? De modo geral este demónio vem embuçado, com todo o recato, em pés de lã, comedido e prudente, e fala como os antigos lentes de Coimbra: — Moço, teus pais eram assim, eram assado. Eram felizes. Fizeram esta nação grande. Amavam a Deus, etc., etc., etc. — Quais pais?, pergunto eu. Os nossos pais navegavam por debaixo das ondas? Atravessavam para o Rio, por exemplo, em nove horas? Viajavam na estratosfera? Ouviam Londres em Lisboa? Ressuscitavam duas e três vezes na mesa operatória? Para estes progressos da física e da fisiologia humana forçoso é que haja outra mentalidade. Ou que se invente. Nisto está a grande obra da pedagogia. É para essa inovação transcendental do psíquico que eu
dirijo o meu convite à juventude portuguesa.

J: De que forma, exatamente?
[Acordaram o escritor e o jornalista que a resposta a esta pergunta, sob a forma de mensagem, seria do próprio punho de AR. O texto, um dos últimos por si escritos, foi entregue dias depois. A extensão da mensagem era no mínimo o dobro da que se reproduz em consequência dos cortes feitos pela Censura. As
chamadas “provas de granel” devolvidas ao jornal pela Censura foram confiadas a Aquilino na antevéspera da publicação e poucas semanas antes da sua morte].

AR: De que forma? Não tendo medo de viver. Tapando os ouvidos às vozes dos velhos do Restelo, todavia sem que esse repúdio provoque o desequilíbrio da sua pessoa moral, que é um edifício mais bem interessante do que os construídos pelos arquitetos à beira das ruas.
Que os jovens, repito, não tenham medo de viver. Que não tenham relutância em estudar. É uma questão de persistência de princípio, como já disse, porque depois torna-se agradável singrar pelas esferas novas do saber como viajar pelas terras desconhecidas ou singrar em canoa a motor nas águas mansas de um lago. Que a juventude não tenha medo da afronta dos maus, dos medos do espírito e fuja das cocas [ardis] que todos os inimigos do progresso lhes hão de querer pôr nos olhos, que, no fundo, são hediondas como caraças de carnaval. Que amem a vida pela vida e pela beleza que encerra, nada mais que no facto de o homem se sentir um ser útil à sociedade e, porventura, ao mundo, a despeito das paredes que delimitam o nosso Portugal da Europa. E mais uma vez: estudem. Compenetrem-se de que a vida somos nós que a fazemos como um padeiro amassa o pão às mãos ambas ou um escultor à greda em que modela a estátua. Só assim a vida se saboreia no que tem de saborosos tesouros íntimos reservados.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Bicicletas eléctricas gratuitas em Viseu

Não deixa de ser uma boa notícia.


No entanto, alguns reparos:

1) Viseu é pequeno, mas 10 bicicletas é micro. Se a intenção era verdadeiramente implementar o uso generalizado deste meio de transporte que tende a crescer noutras cidades (Portuguesas e Europeias), aumentar o número de bicicletas e estações era desejável;

2) Trocava bem 10 bicicletas eléctricas por 30 bicicletas à base de músculo, e mais espalhadas pela cidade, por forma a criar uma rede de estações de bicicletas em "modo metro";

3) Se o problema é manutenção implementaria também um preço simbólico, qualquer coisa como 10€/ano.

4) A par do preço, criava-se um passe que permitisse utilizar as ditas fora do horário de funcionamento "Seg-Sábado 9-19h". A malta gosta de passear ao Domingo! E assim ficava também registado quem eram as pessoas que as usavam, caso pretendessem fazer "Destruction Derbies" com o Aquilino.

Mas está bonzinho!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Luís Belo

Apresento-vos Luís Belo: um jovem Viseense que fotografa, filma, escreve, desenha e pinta.

Têm a apresentação da segunda edição do seu livro Emergir na próxima quinta-feira às 22h no Palco Luz.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

B Fachada - Kit de Prestidigitação

Queres ficar com a televisão
Queres ficar com o meu kit de prestidigitação
Queres ficar com o solar na Beira
Queres a minha velha cafeteira
Queres ficar com o Manel João
Queres ficar com o meu pobre coração.

Tu queres tudo e eu dou-te tudo o que há para dar
Levas tudo o que há de mim
Só comigo é que não queres ficar.

Aos teus pais dou-lhes tecto e pão
Dou-te a minha irmã para o teu irmão.

Queres ficar com a biblioteca
Queres ficar com os meus LP's do Zeca
Queres ficar com as vizinhas
Queres ficar com o porteiro
Primas minhas, tu tinhas que gostar do mundo inteiro
Queres ficar com os bilhetes do Vinícius
Queres as minhas coleções e os meus vícios
Queres ficar com a casa numa condição,
Ficares também com a adega e a plantação.

Já só tenho mais um rim para te emprestar
O coração já levaste na pensão alimentar.

Tu queres de tudo e eu dou-te tudo e dou-me a Deus
Cuido de mim, cuido de ti
Cuido dos meus e porque não dos teus.

B Fachada

Lucro para a CMV

Se assim é não lhe perdôo aquele asfalto outrora chamado de Centro de Artes e Espetáculos!

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

E acorda Portugal...

Quando a verdade se veste de música.

Eu Esperei, por Tiago Bettencourt
Eu esperei

Mas o dia não se fez melhor

E o sujo não se quis limpar,
Inventou mais flores em meu redor
Como se eu não fosse olhar!
Enfeitou as ruas para cobrir
Terra seca de não semear
Deram-me água turva a beber
Dizem cura e força e solução
Como se eu não fosse olhar!

Eu esperei

Mas o fumo não saiu da estrada

Arde o sonho em troca de nada
Dizem festa, mas é solidão
Como se eu não fosse olhar!
A mentira não se fez verdade
E a justiça não se fez mulher
A revolta não se fez vontade
Braços novos sem educação
Sangue velho chora de saudade!

Eu esperei

Dizem luta mas não há destino

Dão-me luzes mas não é caminho
Dizem corre mas não é batalha
Como quem não quer mudar!
Esta corda não nos sai das mãos
Esta lama não nos sai do chão
Esta venda não deixa alcançar.
Cantam "armas" mas não é amor
Mão no peito mas não é amar
Fato justo mas sem lealdade
Cavaleiro mas já sem moral
Braços sujos que se vão esconder
Braços fracos não são de lutar
Braços baixos não se querem ver
Como se eu não fosse olhar!

Eu esperei

Pelo tempo transparente em nós

Pelo fruto puro de escolher
Pela força feita de alegria
Mas o povo dorme na ilusão!
E a tristeza é forma de sinal
Liberdade pode ser prisão...
Meu deus, livra-nos do mal
E acorda Portugal...

terça-feira, 20 de agosto de 2013

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Desconfia...

- "Desconfia..."
- "Obviamente! Corja desta merece lá respeito."
- "Toda a gente tem defeitos."
- "Mas alguns parecem insistir neles."

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Consenso Político

Recordo-me há uns anos de ouvir na rádio o Sr. Jerónimo de Sousa, por altura da campanha de que viria a resultar o 1º governo de Sócrates, em que este insistia que necessitava de maioria absoluta para governar. O Sr. Jerónimo de Sousa conseguiu descomplicar toda a política geralmente envolvente às disputas partidárias dizendo que o PS não necessitaria de maioria absoluta para governar, uma vez que se ele se apresentasse em Assembleia as propostas que prometia na sua campanha o PCP certamente apoiaria as propostas, umas vez que eram válidas.

O que aconteceu depois todos sabemos... promessas valem o que valem neste nosso cantinho.

Hoje, ao ler o Jornal do Centro reparo-me com uma situação semelhante, em que Hélder Amaral diz "Os programas das outras candidaturas são belíssimos. Porventura, muito ao estilo das páginas amarelas. Está lá tudo, mas, ainda assim, são como referi belíssimos programas. Assim, se temos todos programas que num ponto ou outro são coincidentes, resta-me dizer que o que falta é discutir a vontade e as pessoas que encarnam e que dão a cara por cada um destes projectos"

Ora com um sorriso amarelo constato que nem havia necessidade de eleições, se estamos todos de acordo "bora lá" trabalhar em equipa e fazer isto andar para a frente. Mas o sorriso é amarelo por alguma coisa... aparentemente todos acertaram nas promessas a fazer. Vamos ver se o eleito acerta também nas iniciativas a tomar!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Paixão e a Rádio

Paixão acontece quando todas as músicas que ouvimos na rádio parecem ser sobre nós.

Decidi restringir-me à musica instrumental experimental romena.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A inconsistência dos factos

A inconsistência dos factos é algo que me atrai. No fundo levamos toda a vida a tentar ganhar certezas ou a formar opiniões sobre os mais diversos assuntos numa tentativa de estruturar o mundo numa forma que seja compreensível aos nossos olhos, e no entanto quantas vezes nos deparamos com situações que totalmente reformatam toda a nossa percepção? Aqui jaz o meu encanto, porque embora possa ter toda a minha visão bem cimentada, nada me garante (sendo até certo) que já tenha visto tudo, resultando numa imprevisibilidade que vai contra à estruturação por que lutamos.

Assim podemos adoptar duas posturas: ou nos fechamos em portas, crendo e insistindo naquilo que já acreditamos, tentando explicar o novo com os conhecimentos do antigo, ou mantemos uma postura mais aberta ao novo, sempre pronto a confrontar o que já temos. De uma forma simplista o leitor pensará que a segunda é mais sensata, mas tem os seus contras. Repare, uma postura aberta significa que há pouca consolidação do que se conhece, e isso resulta em falta de interesse, pouco aprofundamento sobre algo, e poderá até impedir a descoberta do novo, pois tal como diz a ciência "uma resposta origina sempre 1000 novas perguntas".

Fica pois então claro que algo intermédio será o mais aconselhável (tal como em tudo na vida de resto), e aqui ergue-se uma nova barreira: Em que ponto do intermédio? Esta mesma incerteza é o que frequentemente origina diferenças de opinião, incutindo diversidade de pensamentos e argumentos, que por discussão multiplica ainda mais esta diversidade, num efeito exponencial. Mas vá, a diversidade possibilita a descoberta do novo, e o novo, podendo nem sempre ser bom, é proveitoso pelo potencial que encerra.

Isto claro é também fortemente influenciado pela sociedade, e chegamos a um ponto em que a sociedade influencia mais o indivíduo do que vice-versa, também por nos depararmos por essa "rigidez social". O Homem teve um desenvolvimento social bastante aprecíavel, considerando os últimos 1300 anos de história, e sempre houve grandes figuras capazes de dirigir esta linha em pontos decisivos. No entanto é curioso como outras culturas adoptaram caminhos semelhantes, mesmo que independentes entre si.

Porém hoje somos dotados do pensamento abstracto capaz de questionar até as fundações mais básicas. Este questionamento gera, mais uma vez variedade, etc. etc., e ainda assim não evolui do pensamento. Porque será tão difícil que este pensamento abstracto consiga conceder novos modelos sociais, que possam ser propostos e revistos, que possa despertar algo e efectivamente influenciar fortemente a sociedade?

Cimento meus amigos, cimento!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Não arrastes o meu caixão

Não arrastes o meu caixão
Que o macadame tornou-se infame
E a traição dificulta a tração

É por isso que volto à poeira
Menos atroz o atrito à madeira
Nas tábuas do meu caixão
Os ornamentos tornaram-se lisos
Vaidade morta, só restam narcisos
Em coroa no meu caixão

Não arrastes o meu caixão
Que as carpideiras perderam maneiras
E o cortejo tornou-se motejo
Em epitáfios talhados por cegos
Entre sevícias entrego-me aos pregos
Das tábuas do meu caixão

Do meu sarcófago fazes saltérios
Como a uma lira dedilhas o lírios
Em coroa no meu caixão

O estranho esquife espiaras, esconso
Na valsa convulsa em volta do vulto
Que habita no meu caixão.
SU

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Vou ser

Vou ser o dia que te acorda
E a noite a adormecer-te
Vou ser o ar que tu respiras
P’ra poder tirar-to

É que quem se oferece assim não tem medo
De ser aquilo que sonhou em segredo

Vou ser a planta na varanda
E tu vais regar-me
Vou ser a corda na garganta
E tu vais cortar-ma

É que quem se oferece assim não tem medo
De ser aquilo que sonhou em segredo

Vou ser o teu espelho
Miúda

20 Fingers

Amanhã no Teatro às 21h30.
Plateia e camarotes: 10€; Frisas frontais: 7.50€; Frisas laterais: 5€ (com descontos aplicáveis).

20 FINGERS | “DE MOZART A CHICO BUARQUE”
 Compre aqui o seu bilhete
A interação, em tempo real, entre pianistas e video jammer faz deste espetáculo uma experiência sensorial completa a que ninguém ficará indiferente, plena de luz, cor e animação.

A dupla a quatro mãos dos pianistas João Vasco e Eduardo Jordão, estreada em 2007, junta-se agora ao VJ Moai numa versão multimédia do recital De Mozart a Chico Buarque, idealizada pelo encenador e coreógrafo Bruno Cochat.

Da sonata clássica ao ragtime, do tango ao chorinho, este é um espetáculo transversal, marcado pelo ritmo, pela dança e pelo humor.