sexta-feira, 23 de agosto de 2013

E acorda Portugal...

Quando a verdade se veste de música.

Eu Esperei, por Tiago Bettencourt
Eu esperei

Mas o dia não se fez melhor

E o sujo não se quis limpar,
Inventou mais flores em meu redor
Como se eu não fosse olhar!
Enfeitou as ruas para cobrir
Terra seca de não semear
Deram-me água turva a beber
Dizem cura e força e solução
Como se eu não fosse olhar!

Eu esperei

Mas o fumo não saiu da estrada

Arde o sonho em troca de nada
Dizem festa, mas é solidão
Como se eu não fosse olhar!
A mentira não se fez verdade
E a justiça não se fez mulher
A revolta não se fez vontade
Braços novos sem educação
Sangue velho chora de saudade!

Eu esperei

Dizem luta mas não há destino

Dão-me luzes mas não é caminho
Dizem corre mas não é batalha
Como quem não quer mudar!
Esta corda não nos sai das mãos
Esta lama não nos sai do chão
Esta venda não deixa alcançar.
Cantam "armas" mas não é amor
Mão no peito mas não é amar
Fato justo mas sem lealdade
Cavaleiro mas já sem moral
Braços sujos que se vão esconder
Braços fracos não são de lutar
Braços baixos não se querem ver
Como se eu não fosse olhar!

Eu esperei

Pelo tempo transparente em nós

Pelo fruto puro de escolher
Pela força feita de alegria
Mas o povo dorme na ilusão!
E a tristeza é forma de sinal
Liberdade pode ser prisão...
Meu deus, livra-nos do mal
E acorda Portugal...

terça-feira, 20 de agosto de 2013

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Desconfia...

- "Desconfia..."
- "Obviamente! Corja desta merece lá respeito."
- "Toda a gente tem defeitos."
- "Mas alguns parecem insistir neles."

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Consenso Político

Recordo-me há uns anos de ouvir na rádio o Sr. Jerónimo de Sousa, por altura da campanha de que viria a resultar o 1º governo de Sócrates, em que este insistia que necessitava de maioria absoluta para governar. O Sr. Jerónimo de Sousa conseguiu descomplicar toda a política geralmente envolvente às disputas partidárias dizendo que o PS não necessitaria de maioria absoluta para governar, uma vez que se ele se apresentasse em Assembleia as propostas que prometia na sua campanha o PCP certamente apoiaria as propostas, umas vez que eram válidas.

O que aconteceu depois todos sabemos... promessas valem o que valem neste nosso cantinho.

Hoje, ao ler o Jornal do Centro reparo-me com uma situação semelhante, em que Hélder Amaral diz "Os programas das outras candidaturas são belíssimos. Porventura, muito ao estilo das páginas amarelas. Está lá tudo, mas, ainda assim, são como referi belíssimos programas. Assim, se temos todos programas que num ponto ou outro são coincidentes, resta-me dizer que o que falta é discutir a vontade e as pessoas que encarnam e que dão a cara por cada um destes projectos"

Ora com um sorriso amarelo constato que nem havia necessidade de eleições, se estamos todos de acordo "bora lá" trabalhar em equipa e fazer isto andar para a frente. Mas o sorriso é amarelo por alguma coisa... aparentemente todos acertaram nas promessas a fazer. Vamos ver se o eleito acerta também nas iniciativas a tomar!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Paixão e a Rádio

Paixão acontece quando todas as músicas que ouvimos na rádio parecem ser sobre nós.

Decidi restringir-me à musica instrumental experimental romena.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A inconsistência dos factos

A inconsistência dos factos é algo que me atrai. No fundo levamos toda a vida a tentar ganhar certezas ou a formar opiniões sobre os mais diversos assuntos numa tentativa de estruturar o mundo numa forma que seja compreensível aos nossos olhos, e no entanto quantas vezes nos deparamos com situações que totalmente reformatam toda a nossa percepção? Aqui jaz o meu encanto, porque embora possa ter toda a minha visão bem cimentada, nada me garante (sendo até certo) que já tenha visto tudo, resultando numa imprevisibilidade que vai contra à estruturação por que lutamos.

Assim podemos adoptar duas posturas: ou nos fechamos em portas, crendo e insistindo naquilo que já acreditamos, tentando explicar o novo com os conhecimentos do antigo, ou mantemos uma postura mais aberta ao novo, sempre pronto a confrontar o que já temos. De uma forma simplista o leitor pensará que a segunda é mais sensata, mas tem os seus contras. Repare, uma postura aberta significa que há pouca consolidação do que se conhece, e isso resulta em falta de interesse, pouco aprofundamento sobre algo, e poderá até impedir a descoberta do novo, pois tal como diz a ciência "uma resposta origina sempre 1000 novas perguntas".

Fica pois então claro que algo intermédio será o mais aconselhável (tal como em tudo na vida de resto), e aqui ergue-se uma nova barreira: Em que ponto do intermédio? Esta mesma incerteza é o que frequentemente origina diferenças de opinião, incutindo diversidade de pensamentos e argumentos, que por discussão multiplica ainda mais esta diversidade, num efeito exponencial. Mas vá, a diversidade possibilita a descoberta do novo, e o novo, podendo nem sempre ser bom, é proveitoso pelo potencial que encerra.

Isto claro é também fortemente influenciado pela sociedade, e chegamos a um ponto em que a sociedade influencia mais o indivíduo do que vice-versa, também por nos depararmos por essa "rigidez social". O Homem teve um desenvolvimento social bastante aprecíavel, considerando os últimos 1300 anos de história, e sempre houve grandes figuras capazes de dirigir esta linha em pontos decisivos. No entanto é curioso como outras culturas adoptaram caminhos semelhantes, mesmo que independentes entre si.

Porém hoje somos dotados do pensamento abstracto capaz de questionar até as fundações mais básicas. Este questionamento gera, mais uma vez variedade, etc. etc., e ainda assim não evolui do pensamento. Porque será tão difícil que este pensamento abstracto consiga conceder novos modelos sociais, que possam ser propostos e revistos, que possa despertar algo e efectivamente influenciar fortemente a sociedade?

Cimento meus amigos, cimento!