quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Hostel

Quando eu era um jovem petiz, viajar não era para todos, e se conseguíssemos ir acampar para Aveiro com os nossos colegas já eram umas férias 10* que nunca mais nos esqueceríamos.
Mas o mundo encurtou, e as viagens ficaram bem mais baratas. Novamente, quando era um jovem petiz, tinha ideia que um bilhete de avião era coisa para ficar a roçar, no mínimo 20X a minha mesada. Agora, há viagens a 10€.

Mas isto é bom meus amigos, a Europa quer-se mais curta, e efectivamente esta maior facilidade em viajar aproximou mais os povos. Além dos vôos Low Cost, existe ainda a dificuldade do alojamento, e também para isto a indústria turística jovem arranjou soluções: Hostel! Um Hostel é um tipo de acomodação caracterizada pelos baixos preços e pela socialização, ou seja, dois em um: vais viajar, pagas pouco e conheces gente.

A comunidade saltimbanco criou também um outro conceito interessante chamado Couchsurfing, em que basicamente as pessoas oferecem os seus sofás ou camas a pessoas que queiram viajar para esses sítios, mas isso dá conversa para um outro post futuro.

Voltando ao Hostel; viajar é portanto uma actividade bem mais vulgar e desejada que antigamente, efectivamente é mais acessível e as pessoas desejam de facto conhecer o mundo, e como podemos deduzir, a presença de um hostel chamará jovens aventureiros a essa zona, exactamente por ser um sítio de encontro e confraternização.

Agora vejamos a realidade Portuguesa, de Norte a Sul (somente Hostel, não contabilizando Bed & Breakfast’s) [Informação retirada de http://www.hostelworld.com]:

- Ponte da Barca: 1 Hostel;
- Braga: 1 Hostels (é assim que se escreve o plural?);
- Guimarães: 4 Hostels;
- Felgueiras: 1 Hostel;
- Porto: 30 Hostels;
- Espinho: 1 Hostel;
- Praia de Esmoriz: 1 Hostel;
- Aveiro: 2 Hostels;
Viseu: 0 Hostels;
- Coimbra: 6 Hostels;
- Figueira da Foz: 1 Hostel;
- Leiria: 1 Hostel;
- S. Martinho do Porto: 1 Hostel;
- Peniche: 12 Hostels;
- Lourinhã: 4 Hostels;
- Torres Vedras: 1 Hostel;
- Ericeira: 6 Hostels;
- Sintra: 3 Hostels;
- Cascais: 3 Hostels;
- Lisboa: 44 Hostels;
- Caparica: 1 Hostel;
- Setúbal: 1 Hostel;
- Sesimbra: 1 Hostel;
- Évora: 3 Hostels;
- Vila Nova de Milfontes: 4 Hostels,
- Aljezur: 2 Hostels;
- Sagres: 1 Hostel;
- Lagos: 12 Hostels;
- Portimão: 3 Hostels;
- Lagoa: 1 Hostel;
- Albufeira: 1 Hostel;
- Faro: 5 Hostels;
- Tavira: 1 Hostel
- Pico (Açores): 1 Hostel;
- São Jorge (Açores): 1 Hostel;
- Angra do Heroísmo (Açores): 1 Hostel;
- Ponta Delgada (Açores): 1 Hostel;
- Vila do Porto (Açores): 1 Hostel;
- Funchal (Madeira): 1 Hostel.

Consegui fazer passar a minha mensagem? Viseu não tem Hostel. Viseu que fica a 1h30 do aeroporto do Porto, que é um aeroporto bastante movimentado, ainda mais considerando os low cost, não tem Hostel. Ok, temos a Pousada da Juventude do IPJ, mas os turistas não sabem certo? E se de facto houvesse um Hostel, listado na comunidade Hostel, a chamar turistas à cidade?

Adaptar aos novos tempos amigos!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tratar de Viseu

O caríssimo Miguel Fernandes acedeu a que eu publicasse um seu texto, originalmente publicado no Jornal do Centro. Pedi para o publicar aqui na forma farmacêutica oral porque revejo-me inteiramente em todos os pontos focados, e na esperança de fazer algumas cabeças iluminar,

Um bem haja Miguel. Aqui vai:

Tratar de Viseu (Jornal do Centro)



1     Tratar da Saúde: Nas últimas semanas, os deputados do PS, eleitos por Viseu, questionaram o ministério da Saúde a propósito da construção de um centro oncológico nos terrenos do Hospital S. Teotónio. Tendo em conta que a criação desta unidade encontra-se projectada desde o último governo liderado por José Sócrates, o actual executivo foi questionado se a construção, da mesma, ainda faz parte dos planos do ministério e qual o tempo de execução previsto. Apoiados no estudo “ Acesso, concorrência e qualidade na prestação de cuidados de saúde de radioterapia externa” da entidade reguladora de saúde, aferimos que, na região centro, 44% da população reside a pelo menos 60 minutos de uma unidade com serviço de radioterapia, sendo que esta situação se agrava nos distritos de Viseu e Guarda. Neste contexto, não descurando a grave crise que o país atravessa, é fácil concluir que o desenvolvimento deste projecto é de extrema importância para a melhoria da qualidade de vida de todos os doentes oncológicos da região. Sendo verdade que diversos governos, nos últimos 30 anos, não fazem outra coisa sem ser “tratar da saúde” do interior, e que entre trocas de executivos esta região perdeu ou viu adiados projectos vitais para o seu desenvolvimento (como o Comboio, a Universidade e a Auto-estrada Viseu-Coimbra), resta a pergunta: Quando deixamos de ser a cidade do quase? Neste jogo entre o deve e o haver, ficamos sempre a sonhar com o que poderia ter sido.

2   Tratar dos Emigrantes: José Cesário, um exemplo do estilo de políticos que nos trouxeram a este ano de 2012, acumula horas de voo, será que cumpre a diplomacia económica de Paulo Portas? Até aqui tudo bem, ou tudo mal - depende do optimismo do leitor - o problema do Secretário de Estado está na acessoria, no GPS, ou pior, nos dois. As latitudes frequentadas pelo Secretário de Estado das Comunidades são boas na óptica do turista (aquele turista barrigudo de bermudas, havaiana, meia branca e camisa garrida), no entanto más na óptica dos empresários nacionais ou pouco representativas da diáspora nacional. A comunidade lusa necessita de um “diplomata” que conheça os problemas das suas gentes, ligue o descomplicómetro, simplifique os processos, que esteja presente, que apoie a expansão da nossa cultura, que perceba que em pleno seculo XXI somos bem mais que folclore, bacalhau cozido, carrascão e pimba, que perceba que o quinto império só será realizado através da língua e cultura nacional. Neste momento excepcional, com uma nova vaga de emigrantes de perfil distinto das anteriores vagas, Portugal necessita de governantes excepcionais que lancem as bases para o nosso futuro que, como sempre, é grande demais para este cantinho. José Cesário, por demérito próprio, está na boca do canhão.

3   Tratar da Indústria: Caro leitor, avanço com 10 nomes (caso o seu sobrenome seja silva p.f. ultrapasse o trauma dos likes): Broose, Labesfal, Inter-recycling, Lusofinsa, PSA, Sonae, Huf, Topakc, Borgstena, Avon Automotiv. Não se preocupe, estes não são os nomes das bandas de roque-enrole que as criaturas, que insistem em tratá-lo por pai, ouvem lançando na sua casa um mar de som insuportável. Estes são nomes de unidades industriais que se instalaram em concelhos limítrofes de Viseu, unidades exportadoras, reconhecidas internacionalmente nas suas áreas de produção, que empregam milhares de pessoas (muitas das quais nossas vizinhas, conhecidos ou amigos), geradoras de milhões de euros em receitas e que colocam o distrito e a região no roteiro da indústria. Viseu beneficiou com a instalação destas unidades, fixámos população, acolhemos alguma da mão-de-obra que passaram a ser Viseenses de coração, podemos reforçar a oferta de serviços. Mas não seria melhor se estas e outras unidades estivessem a ocupar os nossos parques, a pagar aqui os seus impostos, a criar aqui oportunidades de emprego, a transformar Viseu numa cidade industrial e mais atractiva?

in Jornal do Centro  (Miguel Fernandes)

sábado, 29 de setembro de 2012

Manual de Sobrevivência II: Oferta Cultural em Viseu

Ontem tive o prazer de receber uns colegas de faculdade em Viseu, que estavam por cá de passagem. Pelos ossos do ofício não me pude juntar a eles durante o dia, no entanto à noite lá combinámos um ou dois copos. Claro que a exigência imediata deles foi "Então ò Gabriel, tu é que és de cá, por isso recomenda aí um sítio".

Isto levou-me a um dilema, que até já foi falado no viseudebalaclava. Viseu é a melhor cidade para se viver. Muito calmo, tranquilo e bonito. E até existe oferta cultural! Temos é de saber procurá-la. Muito bem.
Assim, o Forma Farmacêutica Oral mostra-vos como serem bem sucedidos nessa debandada pela caça cultural em Viseu.

Respondi aos meus amigos: vamos ao Lugar do Capitão, na Rua do Gonçalinho. Eles meteram as coordenadas no GPS e pumba, lá nos encontrámos, e acho que acertei em cheio. O Lugar do Capitão é sem dúvida um dos pontos fulcrais (no meu parecer) na vida nocturna e cultural da Cidade. Oferece uma panóplia de concertos intimistas, workshops interessantes, tertúlias pertinentes, etc etc. Além disso tem todo um ambiente fantástico: 1/3 underground, 1/3 british/irish pub, 1/3 único.
E eu só consigo pensar "Fantástico" sempre que lá entro. E os meus colegas adoraram o sítio. Realmente é um lugar com uma atmosfera difícil de igualar, bastante distante de bares pró-modernos chamadores de penteados irreverentes e sem o mínimo sentido de acolhimento. Toda a decoração, pessoas, empregados, actividades e agenda lançam-nos para uma aura burlesca e adoro. Além do mais tem uma agenda fantástica, e era mais este ponto que eu queria salientar. É de enobrecer um restaurante/bar ter uma preocupação em oferecer actividades culturais de grande valor, ainda mais naquele cantinho escondido da cidade. Mas a verdade é que é deslumbrante pensar só nas personalidades que por ali já passaram e no empreendedorismo dos responsáveis do sítio em manter aquela chama acesa.

Outro ponto fulcral na vida cultural da cidade passa obviamente pelo Teatro Viriato. Um dos grandes impulsionadores da cidade, tem sempre uma agenda bastante preenchida. Por vezes peca por alguma repetição, mas num ponto de vista geral e considerando o enquadramento do Teatro Viriato na rede nacional de teatros, acho que tem vindo a melhorar bastante, e parece-me (na minha opinião de leigo) que o Paulo Ribeiro tem feito um excelente trabalho. E o teatro esforça-se por se estender à população: basta pensar que a maioria dos espectáculos tem um desconto para "jovens até 30 anos". Se antigamente a maior desculpa para não ir ao teatro era o preço, acho que qualquer pessoa é capaz de dar 5€ para um par de horas diferentes, até porque muitas destas pessoas são capazes de dar 30€ + Deslocação para ir a Lisboa ver o Benfica; mesmo para os menos jovens os preços são, no geral, acessíveis. E o Teatro esforça-se muito pela divulgação, e só quem não quer é que não vê a quantidade de panfletos, cartazes e aqueles livrinhos com a programação do Teatro, distribuídos de forma gratuita.
Sempre me esforcei por tentar levar mais gente ao teatro, porque se as pessoas começarem a fazer parte dele, ele só poderá melhorar! Fica aqui o apelo.

Outro ponto a que eu recorro habitualmente é à FNAC Viseu. Sim, eu sei, critiquei o Palácio de Gelo no último post, mas que se lixem, é lá que está o Palco Fnac, pelo que recorro ao PG ao fim de semana. Mas compensa os atropelos, porque normalmente a Fnac tem uma boa oferta de concertos e tertúlias ao fim de semana, ainda por cima gratuitos e num ambiente convidativo. Sou um declarado apaixonado do conceito Fnac, e fiquei feliz com a abertura de um em Viseu, uma vez que chama alguns artistas e personalidades de bom nome e se calhar de outra forma não passariam por cá.

O Cine Clube de Viseu tem feito um trabalho fantástico na cidade. As saudades do Cinema S.Mateus apertam, e os ambientes artificiais dos cinemas de centro comercial enjoam! E se na realidade estivermos à procura de um cinema mais alternativo e de autor torna-se tarefa complicada por Viseu. Mas felizmente existe o Cine Clube que faz constantes ciclos de Cinema, muitas vezes completamente gratuitos, e com boa escolha. Tal como no Teatro, gostava de ver mais pessoas a aderir para que a sua visibilidade aumentasse. Fica novo apelo.

O último ponto será claro, a Câmara Municipal de Viseu. Mas é um caso controverso! A Câmara até oferece entretenimento de qualidade de tempos a tempos. Até chama bons artistas e eventos cativantes: basta pensar no Viseu Naturalmente deste ano, que chamou Miguel Araújo, Coro da Universidade de Oxford e Comédia à la Carte, ou nos Jardins Efémeros, que na minha impressão foram fantásticos! Sim, eu sei que está a ser muito criticado pelos custos envolvidos mas eu fiquei fascinado como uma medida daquelas reavivou o centro histórico com uma energia tangível até aos mais desatentos. E claro, a Feira de S. Mateus, que é um marco na vida da cidade.
No entanto, a Câmara peca I-M-E-N-S-O em divulgação. A página da CMV é uma vergonha, sem qualquer actividade listada! Para sabermos o que se passa temos de vasculhar os 2 ou 3 cartazes publicitários que espalham pela cidade. E numa altura em que fazer propaganda custa 0€ isto não faz sentido. A CMV que faça uso das novas plataformas, porque sinceramente é actualmente a forma mais eficaz, fácil e económica de chegar a toda a gente. No entanto não faz. Então digam-me se faz sentido por vezes desembolsar uns quantos tostões para fazer um bom concerto, se ninguém fica a saber dele??!?

Soube da existência à uns dias de uma "loja" (confesso que não sei bem a definição) na Rua Doutor Silva Gaio chamada de Empório. Ainda não tive oportunidade de a visitar, mas tenho vontade porque o pouco que li e vi na net e nas redes sociais aguçaram-me bastante o apetite. À primeira vista parece ser um sítio intrigante e interessante. Quando tiver a felicidade ou azar de o fazer relatarei por aqui a minha impressão.

Já agora, hoje há novo circo "Pas Perdus" no teatro. Porque não aproveitam para ir? Até vos pago o café.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Viseu

Viseu é, e sempre será a minha cidade do coração. Tem espaços super agradáveis, pessoas muito simpáticas, e sinceramente começa a dinamizar. Apesar de todas as críticas que vou por aí lendo, acho sinceramente que o actual presidente da Câmara merece imenso crédito e reconhecimento, pois tenho mesmo dificuldades em imaginar a cidade há 10 anos, tendo em conta o que evoluiu.

Quando terminei os meus estudos porém via-me esperançado em ir para outra cidade, mais aberta para o mundo e mais empolgante, típico da idade (embora não tenha passado assim tanto tempo), mas no entanto deparo-me hoje novamente em Viseu. E sinceramente percebo que aqui posso ter grande qualidade de vida, afinal de contas isto é mesmo calmo e seguro etc etc. E sim, vejo a cidade a crescer muito, mas no tempo actual não podemos fazer apenas um crescimento em dimensão, mas sim em mentalidade.

Hoje as distâncias são mais curtas, a Europa é curta e o mundo também. Assim, com este aproximar de culturas, uma cidade para verdadeiramente crescer tem de absorver este conceito, de realmente crescer tanto em tamanho como em cultura, perspectiva e economia, e acho que é aqui a minha cidade peca. É necessário criar indústria e empresas, para que possam chamar gentes, gentes que possam investir cá, animando a economia local e fazer Viseu crescer. Viseu tem de se ligar, e certamente não é com uma IP3 para o sul e com SCUT's para todas as outras direcções que vai fazer. Viseu tem de estar perto do resto do mundo e não isolada, tem de se tornar um novo (e melhor) pólo Português.

Mas a verdade é que ainda hoje o acorrer de multidões são das gentes circundantes da cidade que acorrem ao Palácio de Gelo em passeios públicos contemporâneos em frente às montras.

Se houver oportunidades, pessoas mais convenientes virão para cá. Vão desculpar-me a quem se sentir ofendido, mas o que mais falta em Viseu são pessoas interessantes com ideias e motivações, e os poucos que há fogem a sete pés! Sinto muita falta de conhecer gente interessante neste nosso jardim. Onde é que vocês andam?

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Coimbra

Vivo em Viseu, mas estudei em Coimbra, e como gajo aplicado que sou continuei a estudar depois de terminar o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, e estou neste momento a frequentar um Mestrado novamente na minha querida Coimbra.

Vim a Coimbra esta semana por fim de submeter a tese, e deparei-me com os caloiros a chegarem e a entupirem as ruelas da cidade. E pha, a vida é chata porque dá-nos o melhor da nossa vida por muito pouco tempo e condena-nos à monotonia por demasiado! Que saudades de ir chingar caloiros, beber uns bons canecos e tocar umas guitarradas mal amanhadas embaladas pelo traçadinho...

Dura Vita, Sed Coimbra!